
A publicidade descobre meios de se infiltrar em qualquer espaço, isso não é novidade. E como se espera que já existam milhares de artigos diferentes explicando, diagramando, sintetizando e dissecando o modo como os publicitários agem nas redes sociais, vou tentar com esse post fazer algo novo: mostrar como nós, meros consumidores e “vítimas” da propaganda somos laçados e levados ao consumo por meio de uma das redes sociais mais importantes e influentes da atualidade.
Sim, a publicidade no Facebook está na mira, mas na verdade não há objetivo revolucionário nenhum por trás desse texto. Não viso levar os leitores a se enfurecerem com as armadilhas publicitárias que rodam por toda a rede (é, a publicidade do facebook não se restringe à barra lateral cheia de anúncios. Vivendo e aprendendo). Muito menos espero que haja uma movimentação popular contra a propaganda online, até porque não há mal nisso e convenhamos, eu pretendo trabalhar na área, então quanto mais gente comprando porcarias por causa de anúncios por aí, melhor para o meu futuro "eu". A idéia é simplesmente abrir a mente de quem lê e mostrar que nem sempre vemos exatamente o que está sendo mostrado.
Dadas as devidas explicações sobre meus objetivos com esse post, começo com a publicidade mais óbvia do Facebook: a barra lateral citada anteriormente. É ali onde os anunciantes mais “descarados” lançam suas redes e esperam os peixes navegantes se prenderem sozinhos. Pensa bem, não foi ali que você descobriu seu primeiro site de compras coletivas? Ainda com aquela sensação de “deve ser falcatrua”, mas você foi lá e clicou, se viu num mundo de promoções impressionantes e hoje recebe diariamente 1798 spams que você mesmo pediu para receber, “para não perder as próximas ofertas”.
Agora vejamos a situação de outro ângulo, do dono do site de compras coletivas, que chamaremos a partir de agora de um nome genérico... acho que Anfíbio Campestre é um bom nome. O dono do A.C. queria ganhar dinheiro, mas não tinha um produto revolucionário, uma produção artesanal, nem uma empresa muito lucrativa. Então o que passa pela cabeça do dono da A.C., que apesar de não ser rico é um excelente empreendedor? “Vou ganhar dinheiro sem fazer nada!”.
O cara é um gênio! Pode assumir que você sempre pensou nisso, mas nunca conseguiu criar um jeito, mas o dono da A.C. não é o dono por acaso. Ele teve a idéia de um milhão de dólares: as empresas vão a ele querendo vender um produto e aparecer mais no mercado. Ele propõe descontos absurdos com a promessa de que um mínimo (que não é pequeno) de pessoas vai comprar aquele produto e pede metade do lucro pelo serviço. O contratante espera que aqueles que compraram o produto no Peix... Anfíbio Campestre usem novamente o produto dele depois de conhecerem o serviço, graças ao santo site. Agora para e pensa: QUANDO FOI QUE VOCÊ VOLTOU A UMA LOJA DEPOIS DE COMPRAR QUALQUER COISA POR UM SITE DE COMPRAS COLETIVAS? Nunca. Pois é. É aí que está a falha do sistema. Mas chega de falar de compra coletiva, vamos voltar ao assunto da postagem.
Já se sabe que os anúncios na barra lateral direita funcionam tão bem quanto qualquer outro anúncio, seja num jornal, na tv ou num outdoor. Chegou a hora da publicidade “disfarçada”.
Pensemos num produto fictício, uma marca de tênis, por exemplo. Não se pode dizer que este ou aquele tênis é melhor, é uma questão de gosto. Então é necessário fazer com que os consumidores achem que preferem aquele tênis específico, usando a velha tática do “todo mundo gosta, eu gosto também”. Como fazer isso na internet? O Facebook surgiu com a ferramenta perfeita: o “Like”, ou “Curtir”, em português. Digamos que a marca de tênis crie um anúncio novo, com astros dos esportes e da música, mas para assistir a peça é necessário curtir a página da Nike marca de tênis. A cada pessoa que curte essa página, centenas de outras vão receber a atualização em sua própria página e vão querer assistir também o comercial. Assim, milhões de consumidores são levados a crer que aquela marca é melhor por causa de dois fatores simples: o comercial deles é legal e “todos os meus amigos curtem”. Pronto, a marca tem seu vídeo assistido milhões de vezes sem ter que pagar fortunas para transmiti-lo pela TV, as pessoas trabalharam, cientes ou não disso, como agentes transmissores da marca. É, te pegaram.
Vou terminar esse texto (eu sei, é longo, mas vale a pena) com uma das campanhas que mais me deixaram embasbacado com o resultado. Apesar de pouco sutil, a campanha é genial e o resultado foi surpreendente, tão surpreendente que vou usar os nomes originais, eles merecem o crédito.
A Burger King, empresa de fast food ainda recente no Brasil, criou o aplicativo Whopper Sacrifice. Whopper é o carro chefe da Burger King, como o BigMac para a franquia do palhaço. A ideia da campanha era simples, “a amizade é forte, mas o Whopper é mais forte ainda”. Partindo deste conceito, o aplicativo utilizava a tática do “curtir” para atrair os usuários que depois de terem o acesso à página liberado, eram encorajados a “sacrificar” 10 amigos por um Whopper. Isso mesmo, delete 10 amigos e ganhe um Whopper de graça. Em 10 dias, mais de 80 mil pessoas usaram o aplicativo e quase 234 mil amigos foram sacrificados. 80 mil pessoas usaram a ferramenta, serviram de anunciantes para a marca e deletaram amigos para ganhar um sanduíche. O resultado foi tão grande que o Facebook ordenou o cancelamento da ferramenta.
E assim como eu, você nesse momento está pensando como perdeu essa promoção.
Vai entender. Talvez a gente mereça ser atacado diariamente pela publicidade do Facebook.
Sensacional, moleque. Tu tem talento.
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