quarta-feira, 8 de junho de 2011

Devemos acreditar sempre?

O fenômeno vertiginoso das redes sociais no Brasil teve sua gênese com a criação do Orkut, em 2004. De lá para cá, fomos bombardeados com o surgimento de novas redes sociais de relacionamento, e o extinto Orkut deu lugar ao Twitter e ao Facebook. Isso sem contar o Lastfm (aos amantes de música), o skoob (direcionado aos que gostam de livros) e, de certo modo, o tumblr (fotos), menos usados pela grande massa.

Mas a questão que se pretende levantar aqui é a veracidade das informações lançadas a granel nesses sites. Numa era em que a mais popular fonte de pesquisa da internet é a Wikipedia, site colaborativo onde qualquer usuário pode publicar o que bem entender, não é difícil imaginar que o mesmo ocorra nas redes sociais - e atinja proporções maiores, em razão da interação entre os usuários. Mas as informações são sempre verdadeiras?

Uma pesquisa feita entre 16 de outubro e 16 de dezembro de 2009 pelo instituto Sysomos - companhia canadense especializada em analíse de redes sociais - demonstrou que o Brasil é o segundo país no ranking dos usuários do Twitter (8% do total), perdendo apenas para os Estados Unidos, muito embora a popularidade do Twitter tenha decaído em função do Facebook. O Twitter, usado por assessorias de imprensa, artistas, jornalistas independentes e afins, pode se transformar numa arma. Ignorando os usuários supérfluos, é comum ver informações falsas, como o exemplo que segue:

"O terremoto que devastou o Haiti nesta semana já começou a render falsas notícias na internet. Nesta quinta-feira, uma dessas inverdades foi amplamente divulgada no Twitter. A ‘informação’ era de que a companhia aérea americana American Airlines realizaria voos gratuitos ao país para levar enfermeiras e médicos com o objetivo de atender os atingidos. O boato começou a circular na noite de quarta-feira e foi desmentido pela empresa aérea"

- geekaco.com

São comuns, também, twits de jornalistas amadores dizendo que tal jogador já acertou com tal time, quando na verdade tudo não passa de pura especulação. Isso sem contar o seu uso político. Ironicamente, uma notícia publicada neste ano no site do jornal estadunidense Weekly World News decretava o fim do Facebook no dia 15 de março. O tema foi o topo de comentários no Twitter e, posteriormente, desmentido por Mark Zuckerberg, dono do Facebook.

O Facebook, por sua vez, não sai incólume deste dilema: a postagem de um usuário sobre possíveis trombas d'água em Recife causou balbúrdia, e houve cancelamento das aulas nas universidades e escolas. Algumas empresas já haviam liberado seus funcionários. O governador Eduardo Campos usou o seu Twitter para desmentir, porém já era tarde demais. Desnecessário dizer que a notícia propalou-se, também, no Twitter.

Hoje estamos intimamente ligados às redes sociais, mas a questão é saber até que ponto esta "simbiose" nos é saudável. Ou voltaremos ao dia 30 de outubro de 1938, onde o então jovem cineasta Orson Welles resolveu fazer uma brincadeira e narrar através de um programa de rádio uma invasão alienígena, o que causou uma confusão generalizada nas ruas dos Estados Unidos. Só que, desta vez, os aliens invadirão não só um país, mas o mundo inteiro.

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